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Assédio Moral

  Personalidade do agressor
O estudo das caracter√≠sticas de personalidade do agressor reveste-se de algumas dificuldades. A investiga√ß√£o sobre este aspecto, particularmente estudado no Reino Unido, est√° consideravelmente dependente das opini√Ķes subjectivas das v√≠timas, dado os agressores raramente se assumem enquanto tal, impossibilitando a triangula√ß√£o da informa√ß√£o obtida.

Os autores, em regra, argumentam que a personalidade e determinadas inten√ß√Ķes do agressor est√£o subjacentes aos seus comportamentos agressivos e a investiga√ß√£o realizada tem revelado que os agressores s√£o mais frequentemente do sexo masculino do que feminino e desempenharem posi√ß√Ķes de chefia (supervisores ou gestores e n√£o colegas de trabalho).

O comportamento do agressor tem sido caracterizado em termos de v√°rios dist√ļrbios de personalidade, os quais, aparentemente, t√™m origem na sua hist√≥ria de inf√Ęncia. Por exemplo, o agressor tem sido descrito como um ‚Äúfan√°tico‚ÄĚ e como uma pessoa que acredita na livre express√£o das suas ideias, mesmo que isso inclua colocar em posi√ß√£o desconfort√°vel um subordinado ou colega; adicionalmente, tem sido descrito como fortemente motivado pela necessidade de demonstrar poder.

Nos estudos realizados, as v√≠timas de ass√©dio moral referem, frequentemente, a ‚Äúpersonalidade dif√≠cil‚ÄĚ do agressor, estando a ocorr√™ncia de ass√©dio moral relacionada com a transfer√™ncia do agressor para uma situa√ß√£o de maior poder; outras raz√Ķes, frequentemente referidas, s√£o: inseguran√ßa pessoal do superior hier√°rquico, competitividade entre colegas no desempenho das tarefas, ambi√ß√£o por status mais elevado e competi√ß√£o para obter favores da hierarquia. A inveja, por parte dos agressores, parece tamb√©m desempenhar um papel significativo neste contexto, surgindo, em diversos estudos sobre ass√©dio no local de como uma das principais raz√Ķes para a ocorr√™ncia de ass√©dio moral. Noutros casos, as v√≠timas, mencionam: ‚Äúeles queriam ver-se livres de mim a todo o custo‚ÄĚ. Isto √©, na maioria dos casos, a causa de ocorr√™ncia de ass√©dio moral √© identificada com um indiv√≠duo/agressor particular, pelo menos do ponto de vista da v√≠tima.

Outros autores, sugerem a existência de três tipos fundamentais de condutas de assédio moral relacionadas com a personalidade típica do agressor:

1) Processos auto-regulatórios relativamente à auto-estima ameaçada;

2) Fracas competências sociais;

3) Condutas de assédio moral enquanto comportamento micro-político

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1) O assédio enquanto processo auto-regulatório para protecção da auto-estima

A protec√ß√£o da auto-estima √© uma motiva√ß√£o humana b√°sica que influencia e controla o comportamento humano nas interac√ß√Ķes sociais, sendo a auto-estima entendida como a avalia√ß√£o global que um individuo faz de si pr√≥prio. Em qualquer interac√ß√£o social, o reconhecimento m√ļtuo de status das partes √© um aspecto central; a interac√ß√£o social decorre bem na medida em que as partes se sentem respeitadas e reconhecidas, o que significa que existe conson√Ęncia entre a auto-avalia√ß√£o e a avalia√ß√£o externa, podendo surgir conflitos quando tal n√£o se verifica.

Diversos autores argumentam que √© uma auto-estima elevada, e n√£o uma baixa auto-estima, que est√° na base de comportamentos agressivos: ou seja, quando a percep√ß√£o positiva que um indiv√≠duo tem de si pr√≥prio √© questionada, contrariada ou impugnada, ele pode reagir agressivamente, devido ao ego amea√ßado. Logo, uma auto-estima demasiado elevada pode conduzir a comportamentos tir√Ęnicos, pois ela pode estar associada a atitudes de perfeccionismo, arrog√Ęncia e narcisismo; a agressividade √©, geralmente, dirigida para a fonte da avalia√ß√£o negativa e serve para refutar e prevenir avalia√ß√Ķes negativas futuras, bem como constituir um meio de domina√ß√£o simb√≥lica e de superioridade sobre as outras pessoas.

O ass√©dio moral no local de trabalho, enquanto forma de protec√ß√£o de auto-estima, pode acontecer com particular frequ√™ncia no caso de os agressores desempenharem fun√ß√Ķes de gest√£o, pois, √© expect√°vel que, sendo estes dominadores, auto-assertivos e com uma elevada auto-estima, se comportem por forma a defenderem a sua posi√ß√£o.

2) O assédio enquanto escassez de competências sociais

Noutros casos, a falta de compet√™ncias sociais parece ser o factor dominante na ocorr√™ncia de ass√©dio moral, sendo a falta de auto-controlo das emo√ß√Ķes, de auto-reflex√£o e de perspectivar correctamente as situa√ß√Ķes, alguns dos aspectos pertinentes.

Assim, um supervisor pode, por exemplo, ter comportamentos col√©ricos ao gritar com os seus empregados, n√£o estando consciente do seu comportamento e da forma como este afecta os alvos dos mesmos. Os agressores podem n√£o s√≥ n√£o estar conscientes da situa√ß√£o, como interpretarem estes comportamentos de forma individualizada, enquanto as v√≠timas os interpretam como fazendo parte de um padr√£o de comportamento sistem√°tico e intencional, que lhes √© dirigido. De acordo com a evid√™ncia emp√≠rica, os agressores n√£o t√™m a capacidade de p√īr as situa√ß√Ķes nesta perspectiva, n√£o sendo de estranhar que se manifestem surpreendidos com a reac√ß√£o das v√≠timas, considerando-a exagerada e dif√≠cil de entender. Adicionalmente, e em regra, n√£o assumem os seus comportamentos, n√£o s√≥ por n√£o serem socialmente desej√°veis como ainda por quest√Ķes legais

3) O assédio enquanto comportamento micro-político

De acordo com alguns investigadores, as situa√ß√Ķes de ass√©dio no local de trabalho seguem a l√≥gica do comportamento micro-pol√≠tico nas organiza√ß√Ķes, sendo a linha de demarca√ß√£o, entre a utiliza√ß√£o aceit√°vel do poder e comportamentos de ass√©dio, t√©nue e difusa. Os comportamento micro-pol√≠ticos t√™m sido descrito como um fen√≥meno que ocorre principalmente nos n√≠veis hier√°rquicos mais elevados (de topo e interm√©dio) de uma organiza√ß√£o e referem-se a comportamentos inerentes √†s estruturas e processos organizacionais atrav√©s das quais o poder √© exercido. Os indiv√≠duos exibem estes comportamentos para se auto-protegerem e melhorar a sua posi√ß√£o relativa, na estrutura organizacional. Pode-se daqui concluir que, s√£o os indiv√≠duos nas camadas hier√°rquicas superiores que lucram mais utilizando comportamentos de ass√©dio moral, enquanto comportamentos pol√≠ticos, o que pode ser uma das explica√ß√Ķes do facto de os supervisores e gestores serem frequentemente identificados entre os agressores nos diversos estudos realizados.

Estes comportamentos micro-pol√≠ticos n√£o podem, de ‚Äúper si‚ÄĚ, ser equacionados enquanto comportamentos de ass√©dio moral, dado que o objectivo do comportamento micro-pol√≠tico √© proteger os interesses do pr√≥prio e melhorar a sua posi√ß√£o relativa, e n√£o a destrui√ß√£o de outr√©m; no entanto, podem envolver comportamentos que afectem negativamente outros indiv√≠duos.

Adicionalmente, estes comportamentos micro-políticos, embora possam ser interpretados como assédio moral podem não implicar uma transgressão das normas e valores organizacionais; ou seja, comportamentos tais como: ser dominador, competitivo, lutador, orientado para objectivos, entre outros, não implicam necessariamente a violação de normas e valores, mas, pelo contrário, podem ser identificados com comportamentos típicos de liderança ou mesmo necessários à prossecução de objectivos, em determinadas culturas organizacionais.

Finalmente, mesmo que determinados indiv√≠duos possam ter em comum determinadas caracter√≠sticas de personalidade que os tornem mais propensos a atitudes de ass√©dio moral, eles n√£o manifestar√£o comportamentos desse tipo a menos que estejam inseridos em culturas organizacionais que premeiem, ou no m√≠nimo facilitem, tais comportamentos. Logo, a cultura organizacional poder√° ter um papel a desempenhar enquanto factor facilitador da ocorr√™ncia de situa√ß√Ķes de ass√©dio moral.
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